Enquanto leio o "Almanaque dos Quadrinhos", livro documentário que usa um modelo que virou fórmula na Ediouro, vou sendo lembrado de por que eu realmente gosto de quadrinhos. Não é porque é arte ou não, ou porque é mídia ou não, ou por ser político ou não. É simplesmente por ser o meio mais simples de estar em contato com a cultura, a contra-cultura, o pop e o subversivo ao mesmo tempo. Enquanto elemento de comunicação, o quadrinho permite tanto a leitura objetiva quanto o exercício semiótico dos signos pessoais. Enquanto arte, ele exibe a qualidade pessoal e traços inovadores, contemporâneos, mas também agrega o valor primário do design, que é fazer a ponte entre a arte e a indústria. É arte, mas é arte industrial... traduzi.
Quadrinho agrega.
Essa reunião de idéias opostas é o que eu mais curto. A capacidade de reinvenção, de modernização e de inovação, mantendo ícones e símbolos, perpetuando uma idéia clássica e adaptando à indústria um tipo de comunicação que é quase pessoal.
Como em um teste psicológico, autores e artistas expõem seus valores de maneira que possam ser criticados por outros artistas e escritores. Há um ciclo de informações, consertos e remendos para que a última palavra seja soberana.
Este livro, que trata de história, crítica artística e apontamentos importantes sobre os grandes momentos da arte, foi escrito (ou co-escrito) por um dos nomes que aprendi a respeitar nos quadrinhos nacionais, Carlos Patati, e é obrigatório, senão necessário, para quem pensa em quadrinhos para algo além de ler durante a viagem do ônibus.
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