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Cidade esquecida: um conto escrito pelos dados - por que não deu certo?

Há uns 2 anos eu criei um projeto onde me propunha a escrever um conto decidido pelos dados. Seria uma força de conseguir uma história interessante e inesperada.
Criei inclusive um sistema de RPG simples, baseado nos livros-jogos com poucos atributos para os personagens. A idéia era testar seus atributos quando fossem necessários e informar para o leitor quando isso aconteceu com um sistema de notação. Segue um exemplo:
"(...)  foi neste momento que Antoine [PMS] percebeu que havia algo estranho nos desenhos das paredes. Se ainda pudesse contar com um dos encantamentos de Cecilea teria alguma chance de desvendá-los.
Ao menos, pensou, conseguiria se aproximar o suficiente para lê-los se seu amigo pudesse manter os pés firmes e a lâmina parada.
Lá embaixo, Byrnut já estava impaciente com seus pés ensopados mas, cauteloso, evitava mover-se, algo que exigia [PFS] sua concentração total. Confiando nisso, Antoine ignorou o medo lançou-se contra a parede oposta, preparando-se para agarrar no beiral [AFF], mas sua força foi insuficiente - ou seu cálculo - e ele sentiu que não alcançaria a parede. Sua reação imediata foi tatear o cinto procurando por sua corda e lançar o gancho contra qualquer relevo que pudesse ajudá-lo [RFF] mas demorou demais para encontrá-la. Ainda assim tentou lançá-la [AFF] sem sucesso. A queda o jogou contra a dura rocha do templo. [3d=11] Debre correu em seu socorro, mas parecia tarde demais, Antoine não resistiu ao choque. Sua vida se fora tão logo ele atingiu o chão.(...)"
Acho que você mesmo já percebeu qual foi o problema, mas eu vou esclarecer. As siglas entre colchetes representam onde ocorreram testes. Eles eram feitos sempre que uma ação do personagem era decisiva e importante (mais ou menos como todo RPG). Por exemplo PMS significa Passivo Mental Sucesso e AFF Ativo Físico Falha.
Existiam 9 atributos distribuídos entre 3 categorias: Fisico, Mental e Social/Espiritual. Cada um deles com um valor para o atributo Ativo, Passivo e Reativo. Assim era simples decidir qual testar rapidamente. Os valores iam de 0-12 e eu usava 2d6 para rolar os resultados. Os combates usavam valor de acerto fixo, mais ou menos como o AC de Dungeons and Dragons... mas eu estou entrando em detalhes desnecessários.
O fato é que os dados não ajudaram.
Eu criei 5 personagens clássicos. Antoine, o halfling ladino, Byrnut, um anão guerreiro, Cecílea, humana e maga, Debre, uma elfo patrulheira e Ernesd, um clérigo meio elfo... você notou que os nomes começam com A,B,C,D, E ? Claro, você é esperto. Eu tinha uns nomes com F, G e H porque imaginava que alguns morreriam.
Mas o sistema foi cruel demais, no trecho citado Cecílea já estava morta e Ernesd era um peso que os heróis carregavam. Antoine se foi bem aí, como você viu e em dois ou três parágrafos Debre estaria em uma situação complicadíssima enfrentando alguns goblins com 2 Pvs. Reparem que eu tentei mesmo salvar Antoine, mesmo com a falha na reação, ainda fiz o teste da corda (talvez penalizando-o com alguns PVs), mas o destino é cruel.
OK, você diz, então por que não ignorar os resultados algumas vezes?
Porque eu não tinha a flexibilidade de uma mesa de jogo e a experiência deveria ser válida, afinal a proposta era mesmo um conto escrito pelos dados e os dados escreveram uma história de morte :D
Talvez valha uma nova tentativa, talvez serviu para mostrar que o RPG nunca foi só dados, mas um jogo social de verdade.

Só agora?

Depois de um exílio auto-inflingido, estamos aí de volta. Talvez incentivado pelas publicações da Fan-page, talvez porque os quadrinhos estão se tornando uma grande parte de minha vida de novo.
Espero que consiga voltar a postar regulamente (como nunca fiz ;D) e que consiga melhorar o conteúdo dessa joça pra ver se ao menos consigo o interesse de alguns para ler.
Fiquem na paz e volto já... eu acho!

O Bom Moço


Morre Steve Rogers o bom moço da marvel.
Contrapondo com o bom moço da DC, o primeiro não voava nem erguia toneladas como se fossem gramas e como se bem sabe hoje, não era mais rápido que uma bala.
vestido com o uniforme de capitão, estirou-se no chão, banhado em sangue e perdeu a vida de uma maneira jamais esperada para um herói.
Enquanto o bom moço de capa enfrentou o maior inimigo de todos os tempos, foi confrontado com um oponente desconhecido, como que criado unicamente para fazê-lo tombar e caiu em uma batalha olímpica, o de escudo sequer tinha tal proteção para desviar uma bala covarde.
O Bom moço de cabelos negros sequer sendo humano, representava a providência divina, uma mão poderosa estendida aos fracos seres sob seus pés. Não que ele o fizesse com desdêm, ao contrário era solícito e dedicado. O Loiro representava um ideal, uma força pessoal e humana capaz de sobrepujar inimigos mais fortes e poderosos com determinação e coragem.
O deus tombou após a destruição de metade de sua cidade, o homem também. Tombou ali, após vencer um inimigo mais poderoso, quando notou que sua guerra se tornara pessoal, ele lutava por Steve Rogers e não pelo Capitão América.
Quando Steve Rogers morre, assassinado, quem jaz no chão é um homem loiro de olhos claros que representa uma nação que é desconhecida do mundo, temida por ele e que o teme de volta. Que aprendeu a se isolar atrás de um escudo, que aprendeu a vencer seus problemas com guerra, não é a toa que o Steve Rogers é um Capitão das forças armadas.
mas este ideal morreu, ou provou ser morto.
Como o profeta gentileza, Brubaker nos lembra que a guerra gera guerra. Rogers caiu morto, mas o capitão América não. Ele morreu antes, morreu quando mais uma vez decidiu vencer argumentos pela guerra, quando resolveu contrapor o que parecia mais justo com força bélica, quando aliciou garotos, tal qual o exército americano para lutar por sua causa, os converteu às suas crenças e os permitiu guerrear nos campos. Talvez eu veja demais, mas a mensagem do roteirista me parece tão óbvia, os boatos que ouvi de um sucessor faz isso ainda mais gritante.
Quando me lembro de todas as vezes em que Stark estendeu a mão para Steve Rogers durante a saga que precedeu sua morte, percebo no momento da (linda) cena cinematográfica da fuga do Capitão através dos corredores do porta aviões da Shield. Uma das balas o atingiu e ele sequer notou, um projétil que matou o ideal, matou o sonho americano e só deixou vivo um homem destituído de visão, que pensa como um Bush, que decidiu trazer a guerra dizendo que queria a paz.